Myrdynn era um filho ilegítimo de um Lord Anglo. Cresceu voltado para as coisas que não se podia ver, tocar ou ouvir. Ouvia, tocava e via o que nada disso se podia. Era uma época triste de destruição e sangue. Roma caíra, mas não o Cristianismo. A nova religião fazia correr o sangue dos tidos como ineptos e imundos adoradores dos velhos deuses que agonizavam sob a espada da nova doutrina…
Caminhando sob as chamas de um mundo que se contorcia em lenta e quase lânguida agonia, duas pessoas seguiam sozinhas entre mortos – deuses e mortais: Myrdynn e Ninian. Procuravam debaixo das cinzas, muitas vezes úmidas de lágrimas, um mundo não mais palpável, mas ainda vivo nos mistérios da morte e da natura, perdido ainda em parte entre as sombras escuras dos bosques da terra e das almas.
Deram-lhe outro nome depois de morto: para os homens modernos Myrdynn passou a se chamar Merlin, O Mago. Ninian, dela não se sabe. Talvez ainda caminhe, sozinha a cata dos seus deuses, mortos senão talvez disfarçados no vento que geme entre as folhas…
Laurita Dias

Venho aqui e sempre fico na dúvida se vieram primeiro os textos ou as imagens. Ambos casam perfeitamente, viram uma expressão única.
Parabéns por isso e pela sensibilidade!
R.Juno
Juno, neste caso veio primeiro o texto!
Obrigada pela visita e pelas impressões ditas.
Laurita