Beladormeceu o sentido

Beladormeceu o sentido

Pus na parede um prego a mais.

Andava tudo árido, pessoas e paisagens. Corrente líquida só dividia semblante, e a primavera fez-se longe da calidez dos sertões, mas perto daquele cheiro febril que desvendaria caminho.

Gracias, 1N1.

Laurita.

A  Adormecida

Que segredo incandesces no peito, minha amiga,
Alma por doce máscara aspirando a flor?
De que alimentos vãos teu cândido calor
Gera essa irradiação: mulher adormecida?

Sopro, sonhos, silêncio, invencível quebranto,
Tu triunfas, ó paz mais potente que um pranto,
Quando de um pleno sono a onda grave e estendida
Conspira sobre o seio de tal inimiga

Dorme, dourada soma: sombras e abandono.
De tais dons cumulou-se esse temível sono,
Corça languidamente longa além do laço,

Que embora a alma ausente, em luta nos desertos,
Tua forma ao ventre puro, que veste um fluido braço,
Vela, Tua forma vela, e meus olhos: abertos.

(Paul Valéry)

3 respostas »

  1. Flor de Maracujá… como eu já te disse, tu entre esses lençóis estampados irremediavelmente remete as belíssimas pinturas do Klimt que tanto gostas… Um xero bem grande!

    “O amor, quando se revela,
    Não se sabe revelar.
    Sabe bem olhar p’ra ela,
    Mas não lhe sabe falar.”
    F. Pessoa

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s