Que os deuses das feras tenham dela piedade e, lenientes, brindem-na como sempre o fizeram: com a placidez necessária ao convívio com as feridas abertas que sempre, mas sempre, demoram a fechar…
Laurita Dias
Saudade
Hoje que a saudade me apunhala o seio
E o coração me rasga atroz, imensa
Eu a bendigo da descrença em meio
Porque eu hoje só vivo da descrençaÀ noute quando em funda soledade
Minh’alma se recolhe tristemente
Para iluminar-me a alma descontente
Se acende o círio triste da saudade.E assim afeito às mágoas e ao tormento
E à dor e ao sofrimento eterno afeito
Pra dar vida à dor e ao sofrimentoDa saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito
Mas que no entanto me alimenta a vida.(Augusto dos Anjos. Em 1899)
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